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    Eileen Gray: breve história sobre sua trajetória no design e na arquitetura

    O nome de Eileen Gray é rapidamente associado a duas obras: uma mesa lateral circular ajustável feita de aço tubular e vidro e uma casa modernista na Côte d’Azur. Mas a história da designer e arquiteta autodidata, uma das poucas mulheres a atuar profissionalmente nessas áreas antes da Segunda Guerra Mundial, abrange oito décadas de produção criativa.

    Aqui está o que você precisa saber.

    1. Vida pregressa

    A família Gray, em Enniscorthy, Co. Wexford | Eileen Gray aos 19 anos, 1897


    Kathleen Eileen Moray Smith é o nome que consta em sua certidão de nascimento. Filha de pais escoceses, Eileen nasceu em 1878 em Enniscorthy no condado de Wexford na Irlanda. Passou os primeiros anos de sua formação entre dois endereços: na mansão georgiana de Brownswood House e na casa da família em South Kensington em Londres, a poucos passos do Victoria and Albert Museum.

    Embora sua mãe, Eveleen Pounden, viesse da aristocracia, ela resistiu à tradição e se casou com um artista de classe média. A rejeição da convenção por Eveleen inspirou Eileen e se tornou uma característica proeminente de sua vida pessoal. Gray rejeitou um título de nobreza herdado pela mãe e se relacionava com homens e mulheres – algo que a sociedade não aceitava naquela época.

    2. Belas-artes, laca, tapeçaria

    Eileen foi uma das primeiras mulheres admitidas na Slade School of Art, onde estudou desenho e pintura, em 1898. As belas-artes pareciam uma carreira natural, já que seu pai era pintor. Mas durante uma visita ao Victoria and Albert Museum, Eileen conheceu a coleção de móveis e objetos de laca vindos do Japão. Isso mudou os rumos de sua formação artística.

    Em 1902, Gray se mudou para Paris. Para dar sequência à sua formação, se matriculou em desenho na célebre Académie Julian e na École Colarossi.

    Alguns anos depois, sua mãe adoece e ela retorna para Londres, onde trabalha brevemente na oficina de laca do Sr. D. Charles.

    Seizo Sugawara | Painel de laca ‘Le Magicien de la nuit’ (1913) por Eileen Gray e Seizo Sugawara – Foto: Studio Sébert


    De volta a Paris, em 1906, ela começa a estudar com Seizo Sugawara, um mestre japonês da arte em laca tradicional. Ela dominou a técnica – raríssima entre as mulheres – e de sua oficina, localizada na rue Guénégaud 11, emergiam grandes obras de arte lacada. Seu gosto pela pesquisa e inovação levou Eileen a inventar novos tons até então ausentes da arte da laca, em particular seus azuis, que agora são famosos.

    No painel Le Magicien de la nuit, transparece a influência oriental, mas também uma dimensão muito pessoal, simbólica e poética que confere às obras deste período uma atmosfera misteriosa.

    Em 1908, Eileen descobriu a tradicional arte da tecelagem durante uma viagem com Evelyn Wyld. Juntas, eles abriram uma oficina de tecelagem na rue Visconti, da qual emergiu uma produção reconhecida por muitos anos.

    Eileen Gray: Coiffeuse-paravent, 1926-1929 | Paravent en briques, 1919-1922


    Em 1917 é contratada por Madame Mathieu-Levy para decorar um apartamento na Rue du Lota. Eileen desenha a maior parte dos móveis, painéis e tapetes.

    3. A criação de móveis, a galeria Jean Désert e o design de interiores

    Fachada da galeria Jean Désert – Foto: © National Museum of Ireland


    Gray rapidamente se estabeleceu como uma das principais designers de móveis laqueados em Paris. Em 1922, abriu sua própria galeria sob o pseudônimo de Jean Désert. Cercada por numerosos e talentosos colaboradores, galeria de Eileen alimentou uma fértil produção que, por volta de 1926, foi consideravelmente renovada: o tubo de metal cromado começou então a aparecer na sua obra.


    Table ajustable (1925): um ícone do mobiliário moderno | Poltrona Transat (1924): composta por um assento suspenso sobre uma estrutura geométrica de madeira, sua articulação permite que o encosto de cabeça acompanhe os movimentos do corpo.


    A galeria Jean Désert também oferece serviços de decoração e design de interiores. Em 1923, Eileen Gray apresentou Une chambre à coucher boudoir pour Monte-Carlo no Salon de la Société des artistes décorateurs. Aqui, a artista mostra uma preocupação real pela unidade conceitual, articulando, em torno de suas explorações, a busca pelo conforto e flexibilidade do espaço

    Este apartamento apresenta as cadeiras Bibendum e é um exemplo da atmosfera modernista dentro da qual a designer trabalhou.


    4. O caminho para a arquitetura

    Fachada da casa E1027 | Foto: ©Manuel Bougot

    O projeto da galeria Jean Désert foi realizado em parceria com o arquiteto romeno Jean Badovici, com quem Gray teve um relacionamento romântico e colaborou na construção da casa E1027, entre 1926 e 1929. A casa é considerada uma das obras primas da arquitetura e responde aos cinco pontos da arquitetura moderna com suas palafitas, seu terraço, a planta livre, as janelas em faixas e a fachada livre.

    Interior da Casa E-1027 após restauração | Foto: Manuel Bougout


    Após E1027 , Eileen Gray embarcou em um novo projeto arquitetônico: o projeto de sua própria casa – Tempe a Pailla (1932-1934) – situada nas encostas, com vista para a cidade de Menton. Combinação sutil de arquitetura moderna e elementos vernaculares, a casa enquadra-se na paisagem com grande elegância. Este foi o único projeto que Eileen desenhou inteiramente por conta própria, mas infelizmente sofreu uma degradação significativa: após a Segunda Guerra Mundial.

    Por cerca de 30 anos, Eileen desenvolveu cerca de 100 projetos de arquitetura. Não se sabe exatamente por que seus projetos – que incluem teatros, centros de meditação e habitação social – não foram realizados. Talvez não tenham sido encontrados ou desapareceram após a guerra.

    5. Eileen quase foi esquecida

    Apesar de suas notáveis criações, a história quase esqueceu Eileen Gray, talvez por ser uma mulher em um campo dominado por homens. Ela vivia reclusa quando foi mencionada em um artigo de um renomado historiador e crítico de arquitetura.

    Eileen Gray morreu em 1976 e está enterrada no cemitério Père Lachaise em Paris, mas seu túmulo não foi identificado, pois sua família nunca pagou a taxa do enterro.

    Em 2009, sua poltrona Dragons, criada entre 1917 e 1919 para um apartamento em Paris. Posteriormente foi adquirida por Yves Saint-Laurent e vendida em seu leilão por US $ 28,3 milhões, estabelecendo um recorde para uma peça de arte decorativa do século XX.

    As luminárias Pailla Wall Lamp e Tube Light Floor Lamp (1927), design de Eileen Gray para Classicon

    Atualmente, seus icônicos produtos são produzidos pela Classicon – única licenciada legal no mundo, e pela FAS no Brasil. 


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